Um abraço do Sol
Que manhã boa, como é bom sentir o Sol da manhã na pele.
Ao levantar o rosto nessa manhã fria e sentir esse aquecimento se fazendo bem lentamente, foi como se estivesse recebendo o melhor abraço do mundo.
Pensei no abraço da minha filha.
No abraço do meu marido.
No abraço do meu pai quando eu era criança.
Na forma como a minha mãe passava a sua bochecha na minha como gesto de carinho.
Respirando, ouvi os pássaros ao meu redor, uma brisa suave passando na minha orelha esquerda.
Me lembrei dos recreios na escola quando era adolescente. De deitar na grama com os meus amigos para tomar sol. A princípio, cheios de casacos e falando sem parar, deitados, uns com as cabeças apoiadas nas pernas dos outros, depois de um tempo o calor ia chegando, os casacos saindo, as expressões suavizando, e silêncio se fazia. O barulho das outras crianças ficava longe e havia dias em que a gente nem ouvia o sinal tocar.
Eram tempos definitivamente diferentes.
As guerras eram coisas dos nossos avós, a ditadura era coisa dos nossos pais, aproveitar o tédio era coisa nossa.
Sabe, querida leitora, querido leitor, quando memórias boas se fazem presentes, trazem consigo as sensações já vividas para o corpo no momento em que ele se encontra. Chegam como um sorriso interno que aquece tal como o Sol da manhã que me ilumina agora.
Sinto que o Sol me deu o abraço que eu precisava, que ele me abastece e que, nessa relação, pude me abastecer de mim também, da minha própria presença através do passado. Que complexidade linda é viver.
E traduzir esse momento em palavras enquanto ele acontece, valida cada sensação, valoriza a forma como me sinto agora.
Muito obrigada por estar aqui comigo.
Com amor,
Cíntia Thurler