Abandonar não é mais fácil
Abandonar é mais fácil?
É curiosa a facilidade que temos de simplesmente abandonar.
Abandonar projetos.
Abandonar sonhos.
Abandonar a vontade de mudar.
Abandonar a esperança de se sentir bem.
Enfim, a facilidade de nos abandonar em nome de fatores externos a nós.
Afinal, cuidar dos outros é mais importante.
A casa arrumada é mais importante.
Estar perfeito é mais importante.
Passos em nome de uma falsa performance, de uma máscara que vestimos para, de alguma forma, nos protegermos do que é desconhecido.
O problema é que o que é conhecido, as convenções, os condicionamentos, a etiqueta, a forma “certa” de fazer as coisas, nos ferem por dentro.
De comprimido em comprimido vamos ficando imunes ao sentir.
Ficamos dormentes à espera de que algo subitamente mude tudo, ou não, perdemos a esperança, né? As coisas estão cada vez mais difíceis, o mercado cada vez mais caro, a política cada vez mais incompreensível, as pessoas cada vez mais intolerantes.
Só que nada está perdido.
Enquanto há vida, ela encontra caminho para prosperar.
Se deixarmos em paz uma área completamente devastada na natureza, com o tempo ela se regenera completamente, ainda mais forte, adaptada às novas condições. É assim lá fora e é assim aqui dentro.
E é justamente aqui dentro que está o tal desconhecido.
Como num mergulho no mar profundo, à medida que alcançamos maior profundidade aumenta a pressão, fica mais frio e mais escuro. A vida tem uma aparência estranha, assustadora.
Mas à medida que mergulhamos mais e mais vezes, mais fundo conseguimos ir, mais resistentes nos tornamos à pressão, à baixa temperatura. Vemos que a escuridão revela uma a vida de uma forma diferente, o que era assustador é, na verdade, funcionalidade, estratégia de sobrevivência. Além disso, no escuro os próprios animais emitem luz.
Quando nos abrimos para esse mergulho, cada descoberta se torna um aprendizado leve. A vida se torna um espetáculo.
Vamos coletando a cada retorno de cada mergulho cada pedacinho nosso que foi abandonado.
Remodelamos.
Reescrevemos.
Adaptamos.
Deixamos ir.
Acolhemos coisas novas.
Restabelecemos a nossa vida, o nosso ambiente interno vai, aos pouquinhos ficando saudável, como a paisagem que descansou dos incontáveis abusos.
Abandonar é só convencionalmente mais fácil.
Nós sabemos disso.
Sentimos a cada momento as dores do abandono.
Então, como seria sentir o acolhimento que você tanto precisa?
Sentir.
O que aprendemos no corpo é transbordado para a mente, para as emoções, para tudo o que somos.
Talvez seja isso.
Espaço para sentir.
Descanso para cuidar do abandono.
Se acolher para aproveitar a vida.
Eu gravei uma reflexão no meu Podcast, se você quiser se aprofundar nessa reflexão, vem comigo. Seguimos juntas.
Fica bem.
Com amor,
Cíntia Thurler