Hoje eu encerro um papel que não é meu

Durante muito tempo tentei ser a filha que não pesa,
a mulher que não complica,
a pessoa que entende, cede e se adapta.

Acreditei que amor vinha de agradar.
Acreditei que segurança vinha de não contrariar.
Acreditei que meu valor dependia de ser útil para os outros.

Hoje eu vejo que, ao fazer isso, me abandonei.

Senti raiva — e essa raiva me acordou.
Ela não é contra vocês.
Ela é a favor de mim.

Meu nome não é ferramenta.
Meu nome não é estratégia, muito menos carne para abate.
Meu nome é a minha identidade, a minha história, a minha vida.

O meu nome não tem preço, ele tem um valor infinito.

Eu não preciso mais me diminuir para pertencer.
Não preciso mais aceitar acordos que me apagam.
Não preciso mais pagar com a minha paz para manter vínculos.

Eu escolho ser adulta.
Eu escolho me respeitar.
Eu escolho honrar o que é meu.

O que é de vocês, eu devolvo com respeito.
O que é meu, eu assumo com dignidade.

Hoje eu deixo morrer a filha, a irmã, a nora que aceitava tudo
para que viva a mulher que se escolhe.

E essa mulher… sou eu.

 

Cíntia Thurler

Cíntia Thurler

Escritora | Mindfulness Neurocognitivo | Ecopsicologia

Escrevo sobre atenção, ética do cuidado e crise ecológica.

Autocuidado como base para mudanças individuais e coletivas.

https://cintiathurler.com
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