Medo de escrever
Tem uma parte minha que sempre teve medo de escrever.
Não medo de não saber escrever.
Medo de saber demais.
Medo de ver no papel aquilo que eu estava tentando administrar em silêncio.
Medo de admitir que algo já tinha acabado.
Medo de reconhecer que eu queria mais.
Escrever é perigoso quando a gente está tentando caber.
Porque a palavra revela o desalinhamento.
Nos últimos meses, escrever tem sido o lugar onde eu me encontro antes de tomar decisões.
Eu escrevi antes de encerrar ciclos.
Escrevi antes de me posicionar.
Escrevi quando estava confusa, cansada, com medo de estar exagerando.
E quase sempre descubro a mesma coisa:
Eu não estava exagerando. Eu estava me ignorando, passando por cima de quem sou.
A escrita me devolve para mim.
Ela não resolve tudo.
Mas organiza o suficiente para que eu pare de fugir.
Talvez você também esteja adiando escrever porque sabe que, quando escrever, vai precisar olhar.
Eu só posso dizer uma coisa:
Olhar é mais libertador do que continuar se distraindo.
E às vezes, tudo o que a gente precisa é de coragem para ficar cinco minutos a mais na própria verdade.
Com amor,
Cíntia