E se…

Ver a minha história até aqui tem sido uma aventura. Nesse exato momento, enquanto escrevo, vejo um molde de gesso que eu e o Keny fizemos da Ivy assim que ela chegou em casa da maternidade. A marca daquela mãozinha minúscula, o fato de que hoje ela está quase, mas quase mesmo, do meu tamanho, associado a tudo o que vivemos e o medo que sinto hoje com os desafios que requerem a nossa atenção é lindo e assustador ao mesmo tempo.

Lindo porque sou capaz de reconhecer o quanto avançamos na vida, o quanto fomos e somos corajosos e o quanto a nossa realidade inclui amor e respeito a quem somos tanto como indivíduos como enquanto família. Lindo porque hoje vivemos a família que sempre quisemos e que merecemos ter.

Assustador porque ainda assim sou capaz de rever e revisar situações vividas no passado e que deram errado, que causaram sofrimento, arrependimento, dor e angústia. Medo de que isso se repita, medo de deixar ir os meus medos. Curioso, não é? O mais interessante é que sei como a minha mente funciona e, bem, o funcionamento da mente em geral e que tudo isso é muito normal, mas mesmo assim não deixa de pesar e assustar.

E se eu ainda não tiver pronta? E se eu viver tudo aquilo de novo? E se eu me colocar naquela situação humilhante? E se eu deixar que os outros abusem de mim novamente? E se… E se?

Mesmo me rendendo a esse momento de insegurança profunda, não duvido nunca da minha resposta, da minha decisão, a de ir em frente, de numa situação similar, fazer diferente, mesmo que isso signifique errar mais uma vez. E agora que escrevo essas últimas palavras sinto uma leveza, respiro profundamente abrindo espaço para essa coragem, para esse amor, para o fato de que não só as coisas estão diferentes ao meu redor como eu estou radicalmente diferente (e ainda assim, mais parecida como nunca comigo mesma). 

Como o nosso estado de espírito é capaz de mudar tão rapidamente...

Bem, se eu pudesse levar essas palavras para algum lugar que te trouxesse algo de valioso para o seu momento, eu as levaria na direção da confiança na vida, na fé em si mesma. Não como numa frase pronta para te motivar, mas na sensação de confiança que se tem quando flutuamos na água enquanto relaxamos completamente o corpo. Com os ouvidos tapados, hora olhamos o céu acima de nós, hora fechamos as pálpebras notando a cor vermelha por baixo dela. Os sentidos ficam apurados e a mente desliga. E, assim, respirar apenas é suficiente.

E se a gente soltasse todas as nossas tensões e parasse todos os nossos afazeres por alguns instantes? Como seria?

A vida não ia parar, ninguém ia morrer, e notaríamos quantas coisas estão presas em nós, pesando, drenando, sufocando. Ao notar, poderíamos conscientemente soltar.

Trata-se de um “e se…” muito mais interessante. 

Nós tendemos a nos afastar do simples e nos prender na linha de pensamento que eu trouxe inicialmente… uma confusão de coisas boas ofuscadas pela confusão e pelo peso. Esse é o nosso normal e está tudo bem. 

Mas o simples, a respiração e a leveza estão sempre ao nosso alcance. São rápidos e eficazes. É o que sinto agora. Que loucura.

Muito obrigada por estar nessa regulação interna através das palavras comigo.

Eu me sinto bem, com um sorriso no rosto. Como você se sente agora?

Pode sempre me escrever e contar (ola@cintiathurler.com).

Com amor,

Cíntia Thurler

Cíntia Thurler

Escritora | Mindfulness Neurocognitivo | Ecopsicologia

Escrevo sobre atenção, ética do cuidado e crise ecológica.

Autocuidado como base para mudanças individuais e coletivas.

https://cintiathurler.com
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