Eclipse
No eclipse eu vi
a beleza do escurecer
que não vem do pôr-do-sol.
Uma beleza que neutraliza as cores,
deixa tudo mais cinzento
e ainda assim, belo.
Um convite para um novo olhar.
Um convite para valorizar o que é sombra em mim.
Nesse dia vi a maré encher.
A vi transbordar,
exuberante fluir,
os passadiços, lavar.
Vi o sol, aos poucos, assumir a forma de lua.
Ouvi a natureza silenciar…
Os pássaros,
os peixes deixaram de saltar.
Tudo quieto.
Até o vento parou de respirar.
Chá de menta nas minhas mãos,
De frutos vermelhos nas mãos da minha pequena.
O eclipse não foi total aqui,
mas foi suficiente.
Enquanto o sol crescia,
caminhamos de volta.
A paisagem era um presente.
A maré simplesmente esvaziou.
Muita lama,
raízes expostas.
Um passo depois do outro,
um momento que aproveitei.
E sem querer que acabasse…
Parei. Respirei. Me senti e OLHEI
Na lama vi um caranguejo.
“Olha Ivy!”
E tem outro!
E outro.
E mais um.
Nossa, quantos!
Uau.
Quando o sol volta ao normal
e a vida segue.
Ela não esvazia por mais que a maré se vá.
A vida se faz presente
um pôr-do-sol depois do outro.
Capaz de encantar
mesmo quando um grande evento
já acabou de se apresentar.